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Ponencia

Tornar-se psicólogo no esporte: considerações sobre um campo intensivo na iniciação esportiva

Parte del Simposio:

SP.34: Estudios socio-antropológicos de los deportes

Ponentes

Marina de Mattos Dantas

Universidade do Estado de Minas Gerais

O esporte é considerado um dos principais aspectos socioculturais contemporâneos, exigindo análises que vão alem do desempenho competitivo, transcendendo a ênfase na performance de alto nível (RÚBIO, 2007).

No Brasil, a Psicologia do Esporte tem ganhado destaque devido à crescente compreensão da importância de componentes psicossociais no desempenho e bem-estar de atletas e outros envolvidos na prática esportiva. Este campo passou por transformações, ao longo do tempo, oferecendo contribuições significativas ao cenário esportivo nacional, capacitando atletas, treinadores e equipes para alcançarem seu potencial máximo (FIORESE et al., 2010), seja em situações de alta performance esportiva ou de lazer.

Engendrada nesse cenário, apresento como proposta de comunicação reflexões sobre o acompanhamento de estudantes de psicologia em seu campo de estágio em uma universidade publica brasileira.

O estágio em Psicologia do Esporte foi conduzido em uma escolinha de futebol em Divinópolis, Minas Gerais, vinculada a um clube tradicional do estado. A escola, inaugurada em outubro de 2022, conta com cerca de 200 alunos de diversas categorias, incluindo meninos e meninas, com idades que variam desde o Baby Fut, aos 3 anos, até a categoria SUB-17, com jovens de 16 e 17 anos. A estrutura organizacional envolve diretores, treinadores, uma treinadora, um auxiliar de serviços gerais e parcerias com um instituto de fisioterapia que oferece serviços de fisioterapia, indicação nutricional e psicologia.

Partindo de vivências como supervisora de estágio, apresento questões que emergem nesse campo, no qual o psicólogo desempenha um papel crucial nas relações sociais, destacando o papel central da tríade formada por professor, família e criança (GARRA; RÚBIO; ANGELO, 2009).

No entanto, a atuação do psicólogo pode ser desafiadora, dependendo de como ele se posiciona nas relações institucionais. A tendência pode ser mais voltada para a adaptação dos corpos às demandas de uma especialização precoce do atleta do que para o desenvolvimento de potencialidades. Isso traz implicações relacionadas à prática esportiva como fruição, socialização e uma prática de saúde (DANTAS, 2011). Desse modo, as questões enfrentadas por psicólogos em formação incluem os atravessamentos de gênero e raça na formação de crianças, que tambem recebem mensagens conflitantes sobre o direito ao esporte e lazer, enquanto são exigidas a desempenhar como profissionais desde cedo. Essa realidade apresenta desafios e oportunidades a psicólogos do esporte em formação ao lidar com as multiplicidades do ambiente esportivo.

Referências

DANTAS, Marina de Mattos.: o psicólogo do Futebol de base e produção de subjetividade esporte e a construção do atleta contemporâneo. 2011. 106 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia Social)-Instituto de Psicologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.

GABARRA, Letícia Macedo; RUBIO, Kátia; ANGELO, Luciana Ferreira. A Psicologia do Esporte na iniciação esportiva infantil. Psicologia em Revista, México, v. 18, nov. 2009.

FIORESE VIEIRA, Luciana; NICKENIG VISSOCI, João Ricardo; PESTILLO DE OLIVEIRA, Letícia; LOPES VIEIRA, José Luiz. Psicologia do esporte: uma área emergente da psicologia. Psicologia em Estudo, v. 2, pág. 391-399, 2010.

RUBIO, Kátia. Ética e compromisso social na psicologia do esporte. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 2, pág. 304-315, jun. 2007.