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Ponencia

Saúde, adoecimento e cuidado na percepção da população em situação de rua em Minas Gerais, Brasil

Parte del Simposio:

SP.20: Problemas, debates y desafíos actuales en el campo de la antropología de la salud latinoamericana

Ponentes

Andréa Branco Simão

Cedeplar/UFMG

Maria Elisa Diniz Bucci

Laura Maciel Freitas

UFMG

Viver nas ruas passou a ser apresentado como problema público no final do século XX, quando deixou de ser visto apenas como um fato social e se tornou, também, um “objeto de preocupação, debate e ação” (Filgueiras 2019, p. 976). Ao longo desse processo de transformação e, ainda hoje, tem sido necessário que “a opinião pública, diferentes atores, analistas e empreendedores de causas ou não, mais do que enxergarem os moradores de rua, identifiquem sua presença no espaço público, as questões sociais, políticas ou morais e, a partir disso, pautem estratégias de intervenção” (p. 977).
A vida dessas pessoas é, em geral, marcada pela ruptura de laços familiares e comunitários, pelo distanciamento do trabalho formal, ausência de moradia e sustento comprometido (Reis 2019). Assim, destituída de inúmeros direitos, a população em situação de rua enfrenta, cotidianamente, riscos que colocam sua saúde e sobrevivência em perigo. Corpos, em geral adoecidos, transitam por diferentes espaços das cidades e tornam visíveis as condições de exclusão, precariedade e vulnerabilidade vividas por milhares de indivíduos em uma sociedade marcada por desigualdades em diversas dimensões, incluindo a da saúde.
Considerando os aspectos mencionados, o objetivo desse trabalho é trazer à luz percepções sobre saúde, adoecimento e cuidado a partir de narrativas de pessoas em situação de rua, historicamente destituídas de direitos e invisibilizadas nas agendas das políticas públicas brasileiras. As narrativas a serem apresentadas provêm de entrevistas realizadas com cerca de trinta pessoas em situação de rua em seis cidades do estado de Minas Gerais, Brasil. Os encontros entre estes sujeitos e os pesquisadores tiveram início em julho de 2023 e continuam acontecendo até o momento. Eles têm sido permeados por inúmeros desafios, mas também por momentos de muitas trocas de conhecimento, empatia e afetos. As histórias contadas revelam, por um lado, uma diversidade enorme de vivências e, por outro, algumas similaridades no que diz respeito a problemas relacionados às estratégias de sobrevivência e a saúde, incluindo prevalência de algumas doenças, constrangimentos institucionais que dificultam tratamentos, estigmas, medos e, até mesmo, renúncia aos cuidados.