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Ponencia

PAC RIO ANIL: “UMA MARÉ DE CIDADANIA”

Parte del Simposio:

SP.39: Etnografías de la/en la vida urbana: territorios, espacios públicos y vulnerabilidades sociales

Ponentes

Maysa Mayara Costa de Oliveira

Universidade Federal do Norte do Tocantins-UFNT

Buscamos analisar nesse trabalho a construção de uma noção de cidadania através de projetos de intervenção habitacional, voltados para populações pobres que habitavam a região do centro da capital, São Luís-MA. Este trabalho é parte de um capítulo de uma tese, resultante de uma pesquisa etnográfica sobre o processo de condominização da vida social, defendido no ano de 2022. Inaugurado em 2009, o projeto PAC Rio Anil foi anunciado como um dos maiores projetos de intervenção urbana da capital maranhense, e em uma de suas grandes promessas seria a remoção das palafitas que margeavam o lado esquerdo do rio Anil e compunham a imagem de “cinturão”, na parte central da cidade, transferindo seus moradores para apartamentos construídos pelo projeto. Na época, o projeto foi anunciado com muita euforia, que prometia através dos investimentos em infraestrutura, ser um projeto de “inclusão social e cidadania, com urbanização”. O que significa tornar-se cidadão através de obras e modelos de urbanização? Para entender o contexto de formação e ocupação dos bairros que fizeram parte deste projeto, é importante compreendermos o contexto de ocupação e urbanização de cidades como São Luís, que é uma capital, mas que não se configura como uma grande metrópole, que teve na composição dos seus bairros centrais um grande contingente de populações camponesas que migraram por conta dos intensos conflitos no interior do estado, e pela implementação de grandes projetos desenvolvimentistas; tais elementos são fundamentais para que anos depois esses bairros fossem reconhecidos como locais de produção e reprodução de um modo de vida, e cultura de territórios quilombolas, estes expressos nas formas de ocupar e produzir o/no espaço, garantindo também, uma ressignificação de uma identidade. Nesse sentido, este trabalho busca refletir como a “chegada do Estado”, através de projetos de intervenção urbana, não é algo inédito, uma vez que a história dessas populações com seus bairros, demonstram que estes foram protagonistas nas ações de mobilizações de construções de suas casas, nas melhorias de suas ruas, nas manifestações culturais, nos modos de vida expressos ali..