Anuncios:

Ponencia

“O que tinha de sexo, tinha de doenças!”: afetos e os discursos ginecológicos de mulheres negras na velhice

Parte del Simposio:

SP.45: Miradas antropológicas a la salud de mujeres negras/afrodescendientes en América Latina.

Ponentes

Amanda Raquel da Silva

Posgrado de Antropología. Universidad Federal do Rio Grande do Norte UFRGN

Brazil (Brasil)

Fruto da experiência travada para dissertação de mestrado que buscou, a partir de diálogos, conversas, acompanhamentos e diversos exercícios de escuta com seis interlocutoras, explorar a forma em que a expressão dos afetos e a construção de vínculos com outros significantes estão relacionados com a dimensão racial. Neste trabalho, veremos como doenças sexualmente transmissíveis foram determinantes como limites não só sexuais, mas de relacionamento, familiares e emocionais para mulheres negras residentes num bairro considerado periférico na cidade de Natal/RN, no Nordeste brasileiro, e que estão na faixa etária dos cinquenta aos setenta e cinco anos de idade. A pesquisa pretende contribuir com a reflexão sobre um assunto que não tem sido aprofundado nos estudos que tomam como cerne o tema da raça no Brasil; a saber: a afetividade. Assim, a dimensão afetiva atravessa o texto e as reflexões aqui propostas sobre corpo, saúde, beleza, amor, velhice. Simultaneamente a pesquisa visa contribuir com a reflexão sobre as complexidades das relações raciais no Brasil contemporâneo. A maioria de estudos sobre a raça no Brasil reconhece os efeitos contemporâneos do sistema colonial sobre a vida da população negra em matéria socioeconômica e política. Esse texto se inscreve na linha dos trabalhos –menos abundantes– que consideram que à população negra também foi-lhe negada a liberdade da expressão de suas emoções, de sua subjetividade afetiva e da oportunidade de constituir e manter laços e família. Ou seja, reconhece que a dimensão afetiva também carrega as marcas da história de dominação e subalternização das pessoas negras no país. Assim, as páginas a seguir buscam entender em que medida algumas experiências das interlocutoras, informadas pela raça, pelo gênero, pela classe, pela sexualidade e pela geração se interseccionam e impactam na construção de vínculos afetivos.