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Ponencia

O QUE A ESCOLHA PELO O QUE SE COME TEM A VER COM A MOBILIDADE INVERSA URBANO-RURAL NO SUL DO BRASIL?

Parte del Simposio:

SP.18: Um olhar socioantropológico sobre os modos de comer e viver na América Latina e no Caribe

Ponentes

MARIA CARMENCITA DA FELICIDADE JOB

Doutoramento UFRGS/Brazil

Apresento nesta proposta para SP.18 um recorte da etnografia realizada nos anos de 2022 e 2023 no Rio Grande do Sul, sul do Brasil, onde acompanho 6 interlocutores de formatos de família distintos, por meio de observação participante e entrevistas semi dirigidas, em seus cotidianos, em contexto pós Covid-19, na região sul do Brasil. Esta investigação acontece de forma imagética – por meio de imagens e pequenos vídeos – criando uma narrativa cartográfica de seus costumes, hábitos e escolhas de vida e comida. Todo esse registro, faz parte da minha tese, em desenvolvimento para o doutorado em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brasil, no qual reflito como o dispositivo de mudança de indivíduos citadinos e modernos, que viveram grande parte de suas vidas na cidade, estabelecem o desejo, a motivação e um plano de vida que os fazem migrar para territórios considerados rurais. Neste sentido, registro por meio de imagens fotográficas como a comida feita em casa ou plantada constrói este percurso e produz indicadores conscientes da necessidade desta mudança de estilo de vida. Dentro disso, novos planos de como viver com maior autonomia em tempos de crise climática, social e política, onde, a mobilidade de indivíduos urbanos para lugares rurais acontece de maneira espontânea, começa a surgir como elemento integrador em suas vidas. Fortalecendo assim, para o ato de comer uma visão em micro escala, gerando maior atenção a manutenção deste cotidiano e estilo de vida, alinhado pelo interesse de estar mais perto da natureza e integrado as referências locais de origem pampeana. Somando-se a isso, inicia-se também, uma perspectiva consciente ao ato de se alimentar, gerando não só um dispositivo de encontro para as tomadas de decisão mais amplas em sua vida, como rompe com um estilo de vida mais automatizado da cidade, provocando reflexões sociais como a ideia de ajudar a criar e manter um presente que se restaure em um planeta e futuro melhor.