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Ponencia

Nunca mais um Piauí sem nós

Parte del Simposio:

SP.59: Transformaciones estructurales e institucionales para generar espacios interculturales en Latinoamérica. Nuevas bases epistémicas y propuestas de acción

Ponentes

Joana Sirley da Costa Porto

Universidade Federal de Goiás

Trata-se de uma pesquisa que será base para a construção da tese de doutorado em antropologia social, em que eu falo sobre nosso processo de retomada indígena no estado do Piauí que se localiza no nordeste brasileiro uma das áreas mais afetadas pelo etnocídio e projeto de genocídio contra os povos originários do Brasil, um projeto ainda instaurado no Brasil nos primórdios da colonização em que visava praticar a Eugenia
No Brasil a fim de branquear a população e desta forma não haver mais traços indígenas vivos nos corpos. Resistimos há mais de 500 anos, e hoje estou viva para retomar e contar a minha própria história, sendo uma mulher indígena piauiense. A retomada indígena piauiense é um movimento novo comparado a outros movimentos de retomada, e por isso é importante falar dessa emergência étnica, sobretudo porque será tratada, construída e abordada sob a ótica de uma mulher indígena piauiense que está dentro desse processo de retomada.
O Piauí apesar de ser parte de um movimento recente de retomada, temos um diálogo bastante homogêneo no que tange as questões indígenas no Brasil, sobretudo a luta pela demarcação de terras e acessos à políticas públicas básicas voltadas para povos indígenas, como saúde indígena e educação escolar indígena.
Hoje temos 3 terras indígenas homologadas, (não demarcadas) o que viabiliza ainda mais o reconhecimento do nosso estado como um estado indígena, e falo isso porque por muito tempo fomos silenciados e apagados e conduzidos a acreditar que o Piauí era o único estado do Brasil que a política etnocida euroreferenciada havia exterminado, dizimado, o que é uma grande falácia. Hoje o Piauí conta com 5 etnias oriundas do estado piauiense 1 etnia oriunda do Maranhão, mas que soma fortemente na luta, e também conta com 1 etnia oriunda de imigração , são elas: Tabajara , Kariri, Akroá Gamela, Gueguê de sangue, Caboclos da baixa funda. Do Maranhão: Guajajara. Imigrantes Venezuelanos: Warao.
Portanto somos parte de um contexto sólido de retomada, mas que também lutamos por igualdade de direitos e acesso, hoje temos um museu indígena, o primeiro e único do estado do Piauí, tivemos o primeiro governador indígena do Brasil e hoje ministro Wellington Dias.
Quando eu falo sobre: Nunca mais um Piauí sem nós, faço um alusão a nossa primeira ministra Sônia Guajajara que ao assumir falou dessa forma, referenciando o Brasil. E nesse sentido me refiro ao meu estado que por muito tempo foi apagado, silenciado e esteve fora do contexto indigena.
Hoje, somos potência dentro da nossa subjetividade, e jamais iremos recuar. Esse trabalho visa falar da etnogênese do
Indígena piauiense sob a perspectiva de uma mulher indigena piauiense em retomada.