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Ponencia

“Nunca mais um Brasil sem nós”: pesquisa em rede colaborativa, reparação histórica e geoplocalização de povoações indígenas nos Estados do Brasil e do Grão-Pará e Maranhão (1755-1798)

Parte del Simposio:

SP.70: Memorias insurgentes: relecturas de la historia desde el protagonismo indígena

Ponentes

VANIA MARIA LOSADA MOREIRA

Universidade de Brasília ; Universidade Federal rural do Rio de Janeiro

Ao comentar os resultados do Censo de 2022, que apontam para um significativo aumento da população indígena no Brasil, a ministra dos Povos Indígenas Sônia Gujajara fez uma declaração contundente: “Nunca mais um Brasil sem nós”. A declaração da ministra confronta abertamente os projetos políticos assimilacionistas e termina por resvalar também em vários constructos narrativos que pensam e explicam o Brasil sem a presença e a participação dos povos indígenas. A presente comunicação visa discutir o lugar da historiografia nos processos de construção e de desconstrução da invisibilidade dos povos indígenas no processo histórico brasileiro, à luz das reivindicações e expectativas sobre reparação histórica. Para alcançar esse objetivo, serão apresentados alguns dados e resultados obtidos pelo Grupo de Pesquisa do CNPq VIP – Vilas indígenas Pombalinas. Congregando mais de trinta investigadores de diferentes instituições de pesquisa e ensino superior do Brasil, o grupo de pesquisa Vilas Indígenas Pombalinas organizou-se de modo virtual durante o lockdown da pandemia de COVID-19, adotando o princípio organizativo de trabalho coletivo e colaborativo. O objetivo principal da rede é recolher e organizar informações sobre as novas povoações indígenas criadas durante a vigência do Diretório (1755-1798), com vistas a mapear o estado da arte e geolocalizar as inúmeras e diferentes povoações indígenas no território colonial. Vale registrar que a segunda metade do século XVIII é especialmente importante para a compreensão da presença indígena em contextos urbanos na América portuguesa, em razão da administração de Sebastião José de Carvalho e Melo, que reformou a política indigenista da Coroa e incrementou o processo de urbanização. Por um lado, ele reconfigurou em profundidade as leis e métodos de governança sobre os povos indígenas, reassegurando antigos direitos de liberdade e de posse de terras, criando novas possibilidades de participação política e detalhando principalmente os deveres indígenas no mundo do trabalho. Por outro lado, multiplicou a malha urbana colonial, alcançando boa parte desse objetivo por meio da elevação de vários aldeamentos em vilas e lugares de índios, que passaram a ostentar nomes portugueses. Desse modo, é também objetivo da comunicação apresentar e comentar a geolocalização das 191 povoações indígenas nos Estados do Brasil e do Grão-Pará e Maranhão, organizadas durante a vigência do Diretório dos Índios.