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Ponencia

Levantando a aldeia Pankaxuri: memórias, processo identitário e luta pela terra (Alagoas-Brasil)

Parte del Simposio:

SP.28: Memorias y comunicación indígenas: construcción de espacios de organización y visibilización de luchas en contextos de subalternización

Ponentes

Claudia Mura

Universidade Federal de Alagoas, Brasil

O trabalho aborda a trajetória de uma família extensa Pankaxuri que protagoniza, junto a outras famílias indígenas, a retomada da área denominada Cachoeira do Tamanduá, localizada no município de Palmeira dos Índios, estado de Alagoas, Brasil. Trata-se de uma área declarada de interesse social para fins de reforma agrária e sobre a qual tramita um processo judicial há quase vinte anos – até hoje sem desfecho – envolvendo o INCRA e a FUNAI entre outros órgãos públicos e agentes em disputa. A comunicação abordará a dinâmica territorial impulsionada pela busca de recursos, pelos conflitos interfamiliares na Terra Indígena Xukuru-Kariri e pelas relações de poder vivenciadas em sucessivos contextos de subalternização; como também as estratégias de articulação entre as famílias indígenas “desaldeadas” que residem na periferia da cidade de Palmeira dos Índios, em outras áreas do estado de Alagoas e fora dele. A análise versará na elaboração da memória da própria trajetória familiar e na reconfiguração social e política das famílias na retomada que empreenderam um processo de autonomização e de familiarização que culminou na produção de uma nova fronteira identitária e na reivindicação da área mencionada. Essa mobilização corresponde a mais uma empreitada da principal unidade familiar em luta pela terra e tem o intuito de opor-se e afastar-se definitivamente da condição de “desaldeados” – classificação colonial que vigora na distribuição da assistência aos indígenas e que implicou, e ainda implica, a negação de seu reconhecimento e de seus direitos garantidos por lei. Realçaremos o protagonismo dos/as indígenas em suas mobilizações por reconhecimento e direitos territoriais, os conhecimentos e as memórias das famílias que se contrapõem às narrativas oficiais que têm excluído a sua participação nas economias políticas locais, tal como a sua existência, produzindo sistemáticos apagamentos dos seus registros. Destaca-se que a própria experiência na retomada e o ‘levantamento da aldeia’ Pankaxuri vêm permitindo a elaboração de um projeto coletivo – atrelando valores tradicionais e fontes inovativas de luta política – para ‘sair da rua’ e viabilizar a ‘volta dos parentes’ à terra, oferecendo as almejadas condições para o reestabelecimento da cooperação cotidiana e da relação com a terra e suas entidades – os Encantados – consideradas as únicas legítimas ‘donas da terra’.