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Ponencia

Infâncias quilombolas às margens do rio São Francisco: um olhar antropológico

Parte del Simposio:

SP.50: Nuevos desafíos para la antropología de las infancias a partir de las investigaciones e intervenciones antropológicas sobre y con niñes en América Latina.

Ponentes

Shirley Pimentel de Souza

UNICAMP

Partindo da compreensão das crianças como atores sociais, produtores de cultura e de que a infância é uma construção cultural, este trabalho refere-se a uma pesquisa em andamento que se propõe a desenvolver um trabalho antropológico com crianças quilombolas. O nosso objetivo é analisar os modos de viver e ver o mundo das crianças no universo social quilombola do território Velho Chico, identificando como elas compreendem e elaboram sentidos e significados para as suas vivências e seus processos próprios de aprendizagem. Durante a minha infância na comunidade quilombola de Pedra Negra da Extrema e ao observar as crianças da minha comunidade e de outras comunidades com as quais trabalhei, compreendemos que a infância quilombola está intimamente ligada aos processos de resistência destes povos, merecendo um destaque especial no campo das pesquisas acadêmicas, bem como na proposição de políticas públicas direcionadas aos quilombos, como, por exemplo, as políticas de educação escolar quilombola. Identificamos, ainda, uma lacuna nos estudos que tomem as crianças quilombolas como atuantes na construção das relações sociais das suas comunidades, de modo que não sejam vistas como passivas em um processo de socialização ou assimilação de papéis sociais e tradições locais. Para tanto, é necessário um olhar para as crianças como membros ativos da sociedade e que são capazes de refletir, analisar, dar sentido e alterar suas realidades socioculturais. Com isso, notamos que para compreender as mudanças e permanências no sistema cultural das comunidades quilombolas, um estudo sobre e com as crianças é de grande relevância, visto que dá destaque às suas formas de experienciar o mundo. Além disso, possibilita romper com conceitos ainda difundidos sobre a infância como preparação para a vida adulta e não como uma fase com características próprias. Os dados na pesquisa têm apontado para a necessidade de abordarmos temas como corporalidade, noção de tempo e espaço, ludicidade, liberdade, além de reflexões sobre como os estudos sobre as crianças quilombolas podem impactar na produção de conhecimento antropológico, debatendo temas complexos como os conceitos de socialização, reprodução, aprendizagem, agência e tantos outros.