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Ponencia

Expropriação territorial e conflitos nas Ilhas do Teso, Anajatuba, MA.

Parte del Simposio:

SP.66: Povos indígenas e comunidades tradicionais: desafios da violência em conflitos territoriais e socioambientais no século XXI

Ponentes

Maria Heloísa Alves Crispim Cirilo

universidade estadual do maranhão

A pesquisa que foi desenvolvida é produto de dois projetos de pesquisa: “nova cartografia social dos efeitos de megaprojetos e políticas governamentais de infraestrutura e investimentos na Amazônia e no norte de Moçambique sobre povos e comunidades tradicionais” -FAPEMA UNIVERSAL-00443/19 e; “Megaprojetos em implementação na Amazônia e impactos na sociedade e na natureza” -PPGCSPA-UEMA/CLUA, a partir destes projetos foi possível coletar narrativas históricas dos agentes sociais do quilombo Ilhas do Teso, que contribuíram na concretização dessa pesquisa, bem como a descrição das situações de conflito, o apontamento da territorialidade, modos de vida, locais de significado singular e a criação do “mapa situacional” que caracteriza a construção cartográfica do denominado mapeamento social (ALMEIDA. 2013. Pág. 158). Ilhas do teso é uma comunidade quilombola titulada pela Fundação Cultural Palmares desde 2007, possui uma economia de pesca, apicultura e agricultura e resiste a partir de práticas tradicionais, bem como o uso da terra. É uma história de resistência, em que negros escravizados buscaram refúgio de senhores e senhoras de engenho, nas ilhas localizadas a 12km do município de Anajatuba, que atualmente forma um arquipélago de cerca de 24 ilhas, sendo quase todas as ilhas povoadas e outras tidas como áreas produtivas. Nesta pesquisa, busquei analisar as situações de conflito que a comunidade vive com fazendeiros e grilheiros de terra, que desapropriam a comunidade, e retiram o direito e meios de permanência destes, através do cercamento de ilhas, bem como a degradação do meio ambiente, causadas pela criação bubalinos e bovinos que contaminam o solo e prejudicam a hidrografia local, e animais que vivem no campo. Nesse sentido, tive como objetivos, analisar a situação de expropriação territorial, e identificar os tipos de conflitos relacionados a terras tradicionalmente ocupadas, além de analisar e compreender as dinâmicas sociais de construção de territorialidades específicas que envolvem o “arquipélago”, partindo de uma metodologia de pesquisa que consiste na prática do survey e coleta de dados através de entrevistas realizadas com agentes sociais da comunidade.