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Ponencia

Amazônia das águas: representações poéticas verbais e visuais

Parte del Simposio:

SP.62: Antropoéticas: As grafias enquanto gesto político, ético e poético.

Ponentes

Josebel Akel Fares

Universidade do Estado do Pará

Nazaré Cristina Carvalho

Esta comunicação deriva de um projeto de pesquisa que demarca (algumas) representações poéticas sobre as águas na Amazônia, como marca de identidade de uma região cortada por um rios, florestas, lama, seca… através de um diálogo entre literatura e a fotografia. A navegação fluvial entre igarapés, lagos, furos, paranás, entre tantos outros fenômenos, ensina, algumas vezes, um olhar para o inalcançável, outras vezes, um tatear os verdes e os barrancos marginais. As águas soberanas induzem a uma visão difusa de cores que se alternam e se misturam e, junto com as chuvas, formam uma torrente aquática, que provocam diferentes experiencias estéticas. Metáforas demonstram uma relação de intimidade e dependência do amazônico à água, romancistas, poetas, cronistas, pintores, fotógrafos se ocupam da matéria líquida para trazer à região, em diferentes enfoques, seus olhares sensíveis. Se autores, como Caminha, referem-se à água como elemento de prosperidade e redenção, outros são arautos da dimensão trágica. Euclides da Cunha metaforiza a água como “ruína”. Edson Carneiro trata o amazônico como “escravo do rio”. Thiago de Mello fala na Amazônia como a “pátria das águas”. Giovanni Gallo aponta a “ditadura das águas” no Marajó. Ruy Barata recria Raul Bopp e afirma o “rio como rua”. Dalcídio Jurandir constrói grande parte de seus dez romances através de uma “aquonarrativa”, Eneida (de Moraes) traz à lembrança uma infância decalcada nas viagens fluviais nos regatões do pai. Os espaços encantados permeiam as mitopoéticas e trazem relatos cosmogônicos, teogônicos, escatológicos, de origem, como a narrativa da pororoca, ou a criação do Marajó, por exemplo. A essas experiências literárias circunscrita ao século XX, somam-se experiencias fotográficas captadas na vida ribeirinha no XXI para ratificar que a compreensão do espaço amazônico se ilumina com o farol das águas e sinaliza o modo de vida do homem, indica o comportamento na estação e trazem no olhar sensível de seus habitantes ou dos viajantes uma estética indicadora da dimensão trágica ao elemento de salvação das gentes nos seus territórios. Esta apresentação consta de vozes e imagens poéticas da Amazônia.