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Ponencia

A violência escolar e suas formas de ocultação: uma pesquisa etnográfica comparada no Rio de Janeiro e na Califórnia

Parte del Simposio:

SP.21: Experiencias educativas y escolares de jóvenes en contextos de desigualdad social. Debates y reflexiones desde la investigación antropológica

Ponentes

Bóris Maia

UFF

Este trabalho analisa, através de uma perspectiva comparada, políticas e práticas de prevenção à violência escolar no Brasil e nos Estados Unidos. A violência escolar tornou-se um tema de interesse dos acadêmicos brasileiros no final da década de 1980 devido à onda de violência urbana que tomou conta das grandes cidades, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo nesse período. Nos Estados Unidos, o crescimento da violência escolar alcançou um novo patamar na década de 1990 com os casos de tiroteio (school shooting) em escolas públicas e privadas do país, tornando-se uma problemática obrigatória no campo da pesquisa educacional, além de uma fonte contínua de preocupação para a sociedade americana em geral. Mais recentemente, após a pandemia de Covid-19 e a suspensão das aulas presenciais, o retorno às escolas foi marcado por um aumento significativo dos casos de conflito e violência escolar no Brasil e nos Estados Unidos. Os estudos sociológicos e antropológicos mais contemporâneos sobre o tema têm mostrado que muitos conflitos envolvendo alunos, professores e diretores geralmente classificados como violência escolar – ou bullying, nas últimas duas décadas – estão relacionados a diferentes questões de discriminação, como classe, raça, gênero, etnia e religião. Nesse sentido, a partir de uma análise de programas de prevenção e administração da violência escolar no Rio de Janeiro e na Califórnia, busca-se mostrar como a classificação e o registro dos casos de violência escolar nos dois contextos sob investigação, mesmo considerando as significativas diferenças existentes entre as escolas públicas fluminenses e californianas, acabam ocultando as dimensões raciais, de classe, de gênero e religiosa que caracterizam os conflitos escolares, mantendo desigualdades escolares. O resultado é derivado de uma pesquisa antropológica com foco nos métodos de administração e de registro de conflitos e violências utilizados nas escolas públicas por diretores, professores e demais profissionais encarregados pela construção da ordem escolar. A pesquisa foi baseada em observação direta, entrevistas, análise documental e estatística de escolas públicas do Rio de Janeiro e da Califórnia em diferentes períodos nos anos de 2022 e 2023.