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Ponencia

“A educação parou!”: trabalho e prática sindical na rede estadual de ensino do Rio de Janeiro

Parte del Simposio:

SP.21: Experiencias educativas y escolares de jóvenes en contextos de desigualdad social. Debates y reflexiones desde la investigación antropológica

Ponentes

Marcos Alexandre Verissimo da Silva

INCT-InEAC / SEEDUC-RJ

O objetivo desta proposta é a realização de uma discussão crítica das práticas de ensino e exercício da cidadania no contexto da escola pública fluminense. O proponente é doutor em antropologia e professor de sociologia em uma escola da rede estadual em uma cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro, território já marcado por uma desigualdade estruturante no que se refere a perspectivas de inclusão social e econômica das juventudes que por aí vivem e circulam. As inquietações que deram origem a este trabalho surgiram no âmbito do movimento grevista dos professores estaduais no ano de 2023 e seus efeitos na escola. A categoria dos docentes estaduais decidiu coletivamente cobrar perdas salariais consistentes, que resultaram em uma das piores remunerações em comparação com os vencimentos dos professores das redes públicas das outras unidades da federação. Por outro lado, os estudantes que já acumulavam perdas em termos de conteúdo e motivação com os quase dois anos sem aulas presenciais em razão das medidas sanitárias de enfrentamento da pandemia de COVID-19, passaram 44 dias sem aulas, com as escolas em estado de greve, em um movimento que teve maciça adesão por parte do corpo docente. Em tal contexto, cabe perguntar: em que medida a justa reivindicação dos professores e professoras, de melhorias salariais e dignidade nas condições de trabalho, neste caso, entra em conflito com o direito dos estudantes a uma educação pública, gratuita e de qualidade, aprofundando, desse modo, a desigualdade estruturante e tradicionalmente retroalimentada? Seria possível pensar em formas de luta política e exercício da cidadania que não implicassem em interrupção das aulas e desmobilização dos estudantes e suas famílias? Qual legado positivo, do ponto de vista da categoria dos professores e da qualidade no ensino, bem como da criação de oportunidade para os estudantes, podemos apontar como resultado do movimento grevista de 2023, bem como de greves anteriores? Qual é a relação entre as práticas docentes regulares e as atividades de greve? É no intuito de responder a estas e outras perguntas que este trabalho se constitui. Não se trata, evidentemente, de criminalizar o movimento grevista docente, e sim de propor uma melhor compreensão, do ponto de vista antropológico, acerca de suas contradições. A metodologia empegada é de caráter etnográfico, com base na relativa participação do autor no movimento grevista, e na observação de seus efeitos no pós-greve, contemplando o restante do ano letivo de 2023. Entrevistas com estudantes, professores e sindicalistas também foram feitas visando a produção deste trabalho.